Os Boiadeiros na Umbanda são guias espirituais que representam a figura do trabalhador do campo — vaqueiros, peões e tropeiros — que, após o desencarne, continuam sua missão de servir à espiritualidade. São entidades de força, disciplina e proteção, que atuam com firmeza, mas também com profundo amor e sabedoria. Sua presença nas giras é marcada por energia vibrante, linguagem direta e grande poder de limpeza espiritual.

Segundo Alexandre Cumino (2014), a Umbanda é uma religião brasileira que se estrutura a partir de sete linhas de força espiritual, cada uma com suas entidades e arquétipos. Os Boiadeiros se manifestam dentro da linha de Oxóssi ou de Ogum, dependendo da tradição do terreiro, e representam espíritos que, em vida, lidaram com o gado, a terra e os desafios do sertão. São, portanto, arquétipos do Brasil profundo, conectados à ancestralidade indígena, africana e cabocla.
Rubens Saraceni (2006) descreve os Boiadeiros como espíritos que atuam na condução de energias e espíritos obsessores, utilizando o “laço” como símbolo mágico de domínio e direcionamento. Ele os insere dentro da lógica das Sete Linhas de Umbanda, como agentes de ordenamento e segurança espiritual.
Durante as giras, os Boiadeiros atuam como “guardas de boiada”, conduzindo espíritos perdidos ou obsessores para tratamento espiritual. Segundo Cumino (2016), sua energia é centrada, firme e vibrante, sendo ideal para limpezas espirituais profundas. Eles também ajudam a manter a ordem vibratória do terreiro, protegendo os trabalhos mediúnicos.
Saraceni (2010) descreve que os Boiadeiros podem atuar em conjunto com Exus e Caboclos, formando uma linha de frente espiritual que garante a segurança e a eficácia dos rituais.
As oferendas aos Boiadeiros costumam incluir alimentos do campo, como carne assada, farofa, cachaça e frutas. As ervas utilizadas em seus banhos e defumações são aquelas ligadas à força, proteção e limpeza, como aroeira, guiné e arruda.
Cumino (2014) ressalta que cada terreiro pode ter variações nos rituais, mas o mais importante é a intenção e o respeito com que se oferece. Saraceni (2009) complementa que o ritual deve ser sempre orientado por um dirigente espiritual capacitado, respeitando a hierarquia e a tradição da casa.
Tanto Cumino quanto Saraceni alertam para o risco de folclorizar ou simplificar demais a figura dos Boiadeiros. Eles não são “personagens”, mas consciências espirituais elevadas, que merecem respeito e estudo. Cumino (2015) defende uma teologia da Umbanda que una fé, razão e prática ritual. Saraceni (2006) propõe uma doutrina que valorize o conhecimento e a formação dos médiuns, para que possam atuar com responsabilidade.
Goiânia/GO, ano 2026.
Livre pesquisa:
Mauro Branquinho
Médium da Casa de Caridade Solar Vovó Maria Conga;
Advogado;
Pós-graduando em Teologia, Cosmologia e Cultura Afro Brasileira
pelo Instituto Cultural Aruanda – EAD Ubuntu;
Coordenador Jurídico do CUEGO - Conselho de Umbanda do Estado de Goiás;
Membro da CELR - Comissão Especial de Liberdade Religiosa da Ordem dos Advogados do Brasil/seccional GO.
Intolerância religiosa:
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