
A relação entre Jesus Cristo e Oxalá nos rituais de Umbanda é profundamente simbólica e espiritual, refletindo o sincretismo que une fé, ancestralidade e resistência.
Nos terreiros de Umbanda, Oxalá é cultuado como o Orixá da paz, da criação e da luz divina. Ele é geralmente celebrado em dias específicos (como sexta-feira), com oferendas simples e puras — como flores brancas, água, arroz e velas brancas — que simbolizam sua energia serena e elevada.
Jesus Cristo como Referência Espiritual
Alguns terreiros acreditam que Jesus e Oxalá são a mesma divindade, ele é visto como chefe espiritual supremo. Já outros terreiros não os confundem mas seguem seus ensinamentos como base ética e moral.
Os guias espirituais costumam transmitir mensagens inspiradas no Evangelho, como caridade, perdão e fraternidade.
A imagem de Jesus pode estar presente no altar, ao lado ou substituindo a de Oxalá, reforçando o sincretismo e a unidade entre fé cristã e afro-brasileira.
O sincretismo não foi apenas uma adaptação — foi um ato de resistência cultural e espiritual.
Sincretismo em Ação
Essa fusão é mais do que simbólica — é uma forma de resistência cultural. Durante a repressão religiosa, os escravos praticantes de religiões afro usaram o sincretismo para preservar sua fé, associando Oxalá a Jesus para garantir aceitação social e liberdade de culto, permitindo que continuassem cultuando suas crenças sob a aparência da religião imposta pelos colonizadores..
Por que foi uma forma de resistência?
Exemplos marcantes no Brasil
A conclusão é que Jesus Cristo não é Oxalá.
O que importa é que associamos essas figuras a fé, amor, paz e salvação.
A ideia de que Deus transcende formas, nomes e imagens aparece em diversas culturas e filosofias. Na Umbanda, por exemplo, mesmo com o uso de imagens e nomes como Oxalá, o entendimento é que essas são representações simbólicas de forças divinas, não limitações da divindade.
Estas obras aprofundam a compreensão do sincretismo religioso no contexto brasileiro e oferecem um panorama histórico e antropológico mais amplo sobre a Umbanda e suas conexões com o catolicismo.
Goiânia/GO, ano 2026.
Livre pesquisa:
Mauro Branquinho
Médium da Casa de Caridade Solar Vovó Maria Conga;
Advogado;
Pós-graduando em Teologia, Cosmologia e Cultura Afro Brasileira
pelo Instituto Cultural Aruanda – EAD Ubuntu;
Coordenador Jurídico do CUEGO - Conselho de Umbanda do Estado de Goiás;
Membro da CELR - Comissão Especial de Liberdade Religiosa da Ordem dos Advogados do Brasil/seccional GO.
Intolerância religiosa:
Disque 100 registra 2,4 mil casos em 2024

DEACRI - Delegacia Estadual de Atendimento às Vítimas de Crimes Raciais e de Intolerância - PCGO
Endereço: Praça do Violeiro - Praça Padre Romão Cícero, Av. Solar - St. Urias Magalhães, Goiânia - GO, 74565-630
Telefone: (62) 98495-2047
Disque 100
é o telefone do Governo Federal para denúncias de crimes de intolerância religiosa.