
A frase “o Deus do outro é o meu Diabo” sintetiza uma das mais profundas distorções provocadas pela intolerância religiosa: a demonização do desconhecido.
Quando não se conhece o conteúdo, os símbolos e os valores de uma religião diferente, o imaginário coletivo tende a preencher esse vazio com medo, preconceito e rejeição.
Essa dinâmica não é nova — ela atravessa séculos de história e continua a moldar conflitos, exclusões e violências no mundo contemporâneo.
Ignorância religiosa: A falta de conhecimento sobre outras crenças leva à construção de estereótipos. Rituais, vestimentas, cantos e símbolos são interpretados como “estranhos” ou “ameaçadores” simplesmente por não fazerem parte da tradição dominante.
Doutrinação exclusiva: Muitas religiões são ensinadas como verdades absolutas, o que pode gerar uma visão maniqueísta: “nós” somos os salvos, “eles” são os perdidos — ou pior, agentes do mal.
História de colonização e imposição: No Brasil, por exemplo, religiões indígenas e africanas foram historicamente perseguidas e associadas ao “mal” pelos colonizadores cristãos. Essa herança ainda reverbera em práticas discriminatórias atuais.
O “Diabo” como símbolo do desconhecido: Em muitas tradições religiosas, o Diabo representa o caos, o erro, o perigo. Quando uma religião desconhecida é percebida como desordem, ela é automaticamente associada a esse arquétipo.
Proteção identitária: Demonizar o outro é uma forma de proteger a própria identidade religiosa. Ao transformar o Deus alheio em ameaça, reforça-se a coesão interna do grupo.
Violência simbólica e física: A intolerância religiosa pode se manifestar em agressões verbais, vandalismo de templos, exclusão social e até assassinatos.
Desintegração social: A demonização do outro mina o diálogo inter-religioso, enfraquece o tecido social e impede a construção de uma convivência plural.
Violação de direitos humanos: A liberdade religiosa é um direito fundamental. Negá-la com base no medo ou preconceito é uma forma de opressão institucionalizada.
Educação inter-religiosa: Promover o conhecimento sobre diferentes tradições religiosas nas escolas e espaços públicos é essencial para desconstruir estigmas.
Diálogo e escuta: A escuta ativa entre líderes religiosos e fiéis de diferentes crenças pode abrir caminhos para o respeito mútuo.
Reconhecimento da diversidade espiritual: Entender que o sagrado pode se manifestar de múltiplas formas é um passo para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.
A ideia de que o Deus do outro é o Diabo revela mais sobre o medo humano do desconhecido do que sobre qualquer verdade espiritual. Superar essa visão exige coragem para conhecer, humildade para aprender e empatia para respeitar. Em um mundo plural, a paz só será possível quando o sagrado do outro deixar de ser uma ameaça — e passar a ser uma ponte.
Explica os tipos de intolerância religiosa, sua relação com o racismo e o contexto histórico brasileiro.
Aponta o crescimento alarmante de denúncias, especialmente contra religiões de matriz africana.
Documento abrangente que analisa a intolerância religiosa no Brasil, América Latina e Caribe, com apoio da UNESCO.
Disponível em: ONU – Direitos Humanos
Disponível em: Senado Federal – Constituição
Goiânia/GO, ano 2026.
Livre pesquisa:
Mauro Branquinho
Médium da Casa de Caridade Solar Vovó Maria Conga;
Advogado;
Pós-graduando em Teologia, Cosmologia e Cultura Afro Brasileira
pelo Instituto Cultural Aruanda – EAD Ubuntu;
Coordenador Jurídico do CUEGO - Conselho de Umbanda do Estado de Goiás;
Membro da CELR - Comissão Especial de Liberdade Religiosa da Ordem dos Advogados do Brasil/seccional GO.
Intolerância religiosa:
Disque 100 registra 2,4 mil casos em 2024

DEACRI - Delegacia Estadual de Atendimento às Vítimas de Crimes Raciais e de Intolerância - PCGO
Endereço: Praça do Violeiro - Praça Padre Romão Cícero, Av. Solar - St. Urias Magalhães, Goiânia - GO, 74565-630
Telefone: (62) 98495-2047
Disque 100
é o telefone do Governo Federal para denúncias de crimes de intolerância religiosa.